Conceitos básicos II
Camadas
Uma forma de ver uma imagem é como uma pilha de transparências sobrepostas. Cada uma dessas transparências é chamada de uma camada. Pode haver tantas camadas quanto se queira, umas sobre as outras, de forma a obtermos um determinado resultado da sobreposição dessas camadas. No capítulo sobre
Manipulação de Camadas, você verá como trabalhar com elas, e terá mais detalhes de como elas funcionam.
Seleção
Na maioria das vezes que trabalhamos com uma imagem, queremos que o efeito somente seja aplicado a parte da imagem. No GIMP, a melhor forma de conseguirmos isso é selecionando parte da imagem. A maioria das operações agem somente sobre a parte selecionada, quando há alguma seleção associada a uma imagem.
Para a maioria dos problemas, a solução passa por conseguirmos fazer uma seleção correta do objeto a ser trabalhado. O GIMP tem diversas ferramentas de seleção, e permite aplicar outras estratégias para criar seleções, sem necessariamente usar as ferramentas de seleção. Veja isso com um pouco mais de detalhes na seção
Criando e Usando Seleções.
Quando criamos uma seleção, enxergamos uma linha tracejada que se move ao redor da região selecionada. Essa linha normalmente é apelidada de "Caminho de formigas". O fato de enxergarmos essa linha delimitadora pode nos levar a pensar que a seleção é uma região nitidamente delimitada, e que a parte interior à linha está selecionada, e a parte externa não. Isso é um engano!
Na verdade, a seleção é implementada como um canal. O canal é formado por uma estrutura semelhante àquela usada para a composição da cor, com componentes Vermelho, Verde e Azul, e mais um componente Alfa ou Transparência. A seleção tem um valor entre 0 e 255 definido para cada pixel da imagem, permitindo um determinado ponto estar totalmente selecionado (valor 255), não selecionado (valor 0), ou qualquer valor intermediário. Assim, um ponto pode estar "mais selecionado" do que outro. As operações realizadas afetarão mais um ponto da imagem quanto mais ele esteja marcado por uma seleção. Uma mesma operação pode, então, atingir de forma mais intensa em parte da imagem, e menos intensa em outra parte.
Quando você vir a linha do Caminho de Formigas, deve sempre lembrar que ela apenas mostra um limite, ou seja, uma linha que tenta dar uma idéia do que está selecionado, mas que não quer dizer que o interior dessa linha esteja completamente selecionado, e nem que tudo o que esteja fora dela não esteja selecionado. Para conseguir ver o que realmente está selecionado, podemos usar a Máscara Rápida de Seleção, que mostra a seleção como se fosse a aplicação de uma camada colorida sobre a imagem. Quanto mais selecionada uma parte da imagem, mais transparente será essa máscara. Assim podemos visualizar mesmo regiões parcialmente selecionadas.
As ferramentas de seleção padrão criam seleções com limites bem definidos. O que está dentro da linha está selecionado, e o que está fora da linha não está selecionado. O menu
Imagem:Seleção traz operações que podem ser usadas sobre as seleções para torná-las mais ou menos nítidas, arredondar cantos, enevoar num determinado raio, etc. Para enxergar os efeitos sobre a seleção use a Máscara Rápida de Seleção.
Desfazer
O GIMP permite desfazer praticamente qualquer ação executada. Podemos desfazer através do menu
Imagem:Editar/Desfazer, ou com o atalho de teclado Ctrl+Z. Tudo que foi desfeito pode ser refeito, usando
Imagem:Editar/Desfazer ou o atalho Ctrl+Y.
Importante: somente podemos usar o
Refazer imediatamente após usarmos o
Desfazer. Se você desfaz algumas ações, e trabalha na imagem de qualquer maneira, não será mais possível refazer as ações desfeitas.
A caixa de diálogo
Histórico de desfazer pode ser muito útil se você utiliza o par Desfazer/Refazer com muita intensidade. Pode-se abrir o diálogo com o Histórico através do menu
Imagem:Diálogos/Histórico do Desfazer. Em vez de repetir o comando Desfazer inúmeras vezes, você pode usar o diálogo para clicar no ponto até o qual deseja desfazer (ou refazer).
O GIMP guarda o histórico das ações que foram feitas somente enquanto o arquivo está aberto. Se ele for fechado e reaberto, o histórico não poderá mais ser usado. As ações são guardadas como "versões" da imagem. Uma certa quantidade de memória é gasta para guardar cada alteração feita, permitindo, então desfazer as ações ou refazer ações desfeitas. É possível controlar quanta memória será gasta para guardar esse Histórico, através da janela de configuração das Preferências do GIMP. Pode-se editar as preferências acessando o menu
Arquivo/Preferências na janela de ferramentas principal. Na janela Preferências, clique sobre o item Ambiente, para definir quanta memória poderá ser usada para o Histórico do Desfazer.
Através do diálogo do Histórico, você pode limpar a lista de ações que podem ser desfeitas ou refeitas. Isso liberará alguma memória.
Formas
Formas são curvas unidimensionais. Se a curva é fechada, é possível colorir seu interior, transformando-a numa figura.
As formas podem ser editadas com a ferramenta de edição de vetores, da janela de ferramentas principal.
A ferramenta utiliza edição vetorial com técnica Bezier para editar as curvas. Um vetor é composto de nós, que apresentam pontos de controle, os quais permitem alterar a forma curvatura das linhas.
As formas podem ser usadas como uma ferramenta de seleção, uma vez que os vetores podem ser transformados em seleções através da opção do menu
Imagem:Seleção/Do Vetor. Qualquer vetor previamente definido pode se transformar em uma linha que define os contornos de uma seleção.
Pincéis
Exemplos de texturas e formas de pincéis oferecidos pelo GIMP.
Pincéis são ferramentas usadas para pintura. O GIMP tem um conjunto de cerca de 10 ferramentas chamadas de ferramentas de pintura, mas que realizam operações que não são exatamente de pintar, mas apagar, preencher, criar degradês, clonar, desfocar, aumentar ou diminuir a exposição, etc. Todas elas utilizam os mesmos conjuntos de pincéis, com excessão do balde de tinta, que preenche toda uma região com a cor escolhida.
Os pincéis podem ser selecionados através do diálogo de pincéis (
Imagem:Diálogos/Pincéis), mas também são exibidos toda vez que uma ferramenta de pintura é selecionada, na janela de ferramentas principal. O processo de pintura se resume a escolher um pincel e uma cor, e arrastar o mouse sobre a tela com o botão do mouse pressionado. No caminho feito pelo mouse, o conjunto de pixels que representam a forma e a textura do pincel é repetida a uma determinada velocidade, a depender do tipo do pincel escolhido.
Podemos definir a opacidade dos pincéis (ou seja, se ele será mais ou menos transparente). No caso de uma borracha, a opacidade vai regular o quanto será apagado cada vez que se passa o mouse sobre a região da imagem. Ainda podemos controlar como o pincel vai reagir caso o mouse seja mantido pressionado em um mesmo lugar. As possibilidades são aumentar a opacidade, a dureza, o tamanho ou a cor.
Em Modo, podemos escolher como a cor aplicada pelo pincel vai interagir com a cor da imagem. O Modo comum é o Normal, que simplesmente pinta com a forma e a textura escolhidos sobre a imagem original. Experimente outros modos para ver o efeito deles.
Ao ser instalado, o GIMP oferece um conjunto bastante grande de formas e texturas de pincéis. Outras formas podem ser adicionadas por você utilizando uma funcionalidade externa, que fica no menu
Imagem:Scipt-FU/Seleções, que permite transformar uma seleção em um pincel. Também é possível salvar uma imagem ou textura em formato de pincel para ser usado posteriormente, bastando escolher a extensão .bgr no momento de gravar o arquivo.
Degradê
Degradês são gradientes de cor, formas de preenchimento onde uma cor se transforma em outra em modelos predefinidos como o linear, cônico, radial, quadrado, dentre outros.
Exemplos de degradê:
- Linear
- Cônico
- Radial
- Linear com repetição triangular
- Linear com repetição ziguezague
- Radial com repetição triangular
Na maioria dos tipos de degradês o usuário define o inicio e fim do degradê, nesses casos a cor de fim preenche todo o resto do espaço. Quando o degradê é usado em modo de repetição o espaço além do definido pelo usuário é preenchido por cópias sucessivas do degradê. Existem dois modos de repetição: O modo ziguezague faz a repetição no mesmo sentido do original e dessa forma cada ciclo da repetição fica bastante perceptível. O modo triangular repete o degradê invertendo o sentido em relação a última repetição, criando uma ondulação suave pois a cor de fim de um ciclo é a cor de inicio do próximo.
O GIMP traz uma coleção de degradês pré-definidos para usos comuns, como "céu caribenho" e "mar profundo".
Texturas
Texturas são imagens que podem ser repetidas indefinidamente sem que seus limites sejam percebidos pois seus lados são continuações perfeitas uns dos outros. Dizer que os lados são continuações uns dos outros é dizer que a lógica do desenho que foi cortado do lado direito é continuada no seu lado esquerdo, desta forma se adicionamos uma cópia da imagem ao seu lado ela se encaixa continuando o desenho e não percebemos onde é o fim de uma e inicio da outra.
Algumas das texturas disponíveis no GIMP:
Paletas
Paletas são coleções de cores predefinidas que ajudam na seleção de cores para um desenho ou padronizam as cores usadas em várias criações.
Existem paletas bastante populares, como a PANTONE™ que define uma coleção de cores e facilita a comunicação, como é o caso da cor verde na nossa bandeira, seu valor é 348C. O ponto negativo nessa paleta é que ela é de propriedade da Pantone e essa empresa usa seus direitos autorais de forma restritiva. Outra paleta popular
(mas nem tanto) é a
paleta do projeto Tango, esse projeto define padrões para criação de ícones e assim criar coleções compatíveis para integração de interfaces.
O GIMP contém um Editor de Paletas que também ajuda a selecionar cores para a pintura. Um clique em uma cor da paleta seleciona a cor de frente para pintura, clicando em uma cor enquanto segura a tecla
Control define a cor de fundo
(usada pela borracha ou degradê).
Texto
As versões mais recentes do GIMP evoluíram bastante em relação às versões anteriores no que diz respeito à manipulação de texto. Cada elemento do texto é guardado em uma camada separada, podendo ser manipulado posteriormente. O texto não é convertido em imagem, e a qualquer momento é possível alterar a fonte, o tamanho, a justificação (direita, esquerda, centro), espaçamento entre linhas ou mover o texto para outros locais na imagem.
O GIMP oferece uma ferramenta de edição de texto, simples mas funcional:
A camada de edição de texto pode ser editada como qualquer outra camada. Por exemplo, pode sofrer as transformações de rotação, espelhamento e redimensionamento. Mas nesse caso, ao voltar a editá-la com a ferramenta de edição de texto, essas transformações feitas com as ferramentas de edição de camadas serão ignoradas, e, provavelmente, perdidas. Quando isso estiver para acontecer, será mostrada a seguinte mensagem de aviso:
Isso acontece porque uma camada com texto possui características além do que nós podemos enxergar à primeira vista, ou seja, não se trata apenas de pixels compondo uma imagem normal. Por esse motivo, prefira fazer primeiro as edições referentes ao texto (tipo e tamanho da fonte, justificação, etc.), e deixe para o final do trabalho as edições utilizando as ferramentas de camadas que forem necessárias.
Você pode utilizar as fontes disponíveis no sistema.