Conceitos básicos I
O objetivo principal dessa seção de Conceitos é familiarizar todos com a terminologia geralmente utilizada na edição de imagem. O objetivo não é, ainda, de ensinar a utilizar ferramentas nem aplicar efeitos ou transformações. Para isso, os capítulos posteriores trazem definições e exemplos, e os Tutoriais trazem exercícios práticos para aplicação de todos os conceitos. Tentamos fazer tutoriais que utilizassem o máximo de conceitos, mesmo que a aplicação ou o resultado final fosse simples, permitindo, desse modo, que a teoria fique bem estabelecida.
Tipos de imagens
comparar imagem vetorial com bitmap e citar os tipos de arquivos
Enquanto em uma imagem bitmap temos uma matriz de cores de pixels que define a imagem, na imagem vetorial temos pontos com posicionamento livre, que ligados por linhas formam o desenho.
Na imagem acima, a primeira estrela representa uma imagem vetorial, onde os pontos (pequenos círculos verde-claro) são ligados por linhas que definem o objeto. Seu preenchimento é um amarelo alaranjado e a borda é vermelho escuro. A segunda estrela representa um zoom na imagem bitmap, por isso nota-se o quadriculado (um problema que não existe nas imagens vetoriais). Note que o conjunto de quadros, cada um com sua cor, juntos conseguem representar a mesma estrela da primeira imagem, o grande problema é a definição.
Formatos de imagem Bitmap
O GIMP pode editar e salvar arquivos em diversos formatos de imagem de bitmap, além de poder exportar para formatos que não são nativos. Vejamos alguns deles:
BMP ou
BitMap: O clássico bitmap da Microsoft, conhecido de todos os antigos usuários de PCs e dos novos usuários que tenham experimentado o MS Paint. Esse formato de imagem suporta indexação ou TrueColor, mas não é compactado. Esse formato não suporta canal alfa, nem transparência.Veja sobre o que vem a ser imagem indexada ou TrueColor no capítulo sobre
Imagens e Arquivos.
TIFF ou
Tagged Image File Format: Um formato popular, bastante usado por artistas para guardar imagens sem perda ou para enviar trabalhos bitmap para impressão. Suporta canal alfa e tipos distintos de compactação. Também é possível usar nenhuma compactação e este é, aparentemente, o uso mais comum. Algumas câmeras digitais geram arquivos nesse formato, especialmente câmeras semi-profissionais ou aquelas chamadas compactas de gama média (que têm porte um pouco maior e recursos profissionais, mas ainda não são consideradas câmeras profissionais).
GIF ou
Graphics Interchange Format: Seria o formato mais restritivo de imagem se não possibilitasse pequenas animações. Suporta apenas imagens indexadas e transparência em lugar de canal alfa, ou seja, um pixel desta imagem pode ser ou totalmente opaco ou totalmente transparente. Esse formato possibilita pequenas animações de forma simples e leve, pois novas frames não precisam representar o que for idêntico à frame anterior e os momentos lentos ou estáticos não exigem novas frames porque cada frame especifica seu tempo de exposição.
JPG ou
JPEG ou
Joint Photographic Experts Group: Esse é, com certeza, é o segundo formato mais popular da internet, vindo logo depois do html. Não é à toa que o JPG se popularizou tanto, pois seu algorítimo de compactação gera imagens muitas e muitas vezes mais leves que sua original na maior parte dos casos. Seu ponto negativo é que esta compactação causa perda de informação e isso se representa em danos à imagem, o que torna inadequado o uso desse formato quando não se trata da publicação do produto final. O JPG também não suporta transparência nem canal alfa. A maioria das câmeras digitais do tipo chamado de câmeras compactas (câmeras não profissionais e de tamanho pequeno) gravam as fotografias nesse formato de arquivo.
PNG ou
Portable Network Graphics: Se no pasado eram necessários formatos com um grande poder de compactação, mesmo que isso signifique uma qualidade inferior, para que a imagem chegasse ao visitante em tempo hábil, hoje precisamos de belas representações artísticas no layout de sites para termos, no mínimo, o respeito do visitante. Bem, se o JPG estiver te limitando, pense com carinho no PNG. Esse formato livre foi criado com a intenção de substituir o formato GIF, que era patenteado. Esse formato suporta um grande número de informações, como canal alfa, correção de gama, verificação de integridade, suporte a imagens com paleta de cores ou truecolor, por fim, comprime com nível regulável e sem perdas. Pela qualidade e pela necessidade de formatos livres para o desenvolvimento da internet esse formato é
recomendado pela W3C.
RAW ou arquivo de imagem cru: Formato usado para gravar imagem sem perdas e com altíssima definição em câmeras digitais consideradas profissionais. A fotografia é armazenada exatamente da maneira como foi capturada, sem efeitos, compactação, ou qualquer tipo de alteração. O RAW, entratanto, não é um formato padrão, e diferentes fabricantes de câmeras e equipamentos estabelecem diferentes tipos de arquivo RAW, atrapalhando a interoperabilidade. Por não ser comprimido, seu tamanho também é muito grande, e uma foto pode pesar muitos Megabytes. O GIMP suporta abrir e editar arquivos RAW de diversos fabricantes de equipamentos. Para tanto, é necessário instalar algumas extensões, como por exemplo o gimp-ufraw, se o sistema operacional tiver o sistema UFRAW instalado, ou o gimp-dcraw, se o sistema for o DCRAW. Em geral, apenas fotógrafos profissionais e que possuem equipamentos sofisticados precisa do suporte a esses tipos de arquivo.
Formatos Vetoriais
Por que falar de formatos vetoriais num curso de GIMP, que serve especificamente para edição de imagem Bitmap? A resposta é que você eventualmente vai precisar trabalhar com vetores, mesmo que esteja trabalhando apenas com edição de fotografia. E é muito provável que, se você se interessa por edição de imagem, deve ter algum interesse em edição de imagem vetorial, além de edição de fotografia. O principal software livre para edição de imagem vetorial é o Inkscape. Veja o material sobre ele no
Curso de Inkscape. Seu formato de arquivo nativo é o SVG.
O GIMP é capaz de editar arquivos SVG se for instalada a extensão GIMP-SVG. Entretanto, o GIMP realmente não é a melhor ferramenta para se trabalhar com desenho, sendo recomendado utilizar uma ferramenta específica. O GIMP pode, ainda, exportar as imagens para alguns formatos vetoriais, além dos formatos de bitmap nativos.
Veja uma lista de arquivos de formato vetorial, e uma breve descrição de cada um:
PS ou
PostScript: Esse formato é largamente suportado e pode, inclusive, ser enviado diretamente à maioria das impressoras recentes para aproveitamento máximo da sua qualidade de impressão. Porém esse é um formato simples que não suporta canal alfa nem filtros e por isso não pode ser usado sempre como formato intermediário para impressão.
EPS ou
Encapsulated PostScript: É basicamente um PS com algumas restrições que ajudam na incorporação deste formato em outros arquivos PostScript.
PDF ou
Portable Document Format: Um formato abrangente e também largamente suportado que pode representar quase tudo o que é representável em outros formatos, por isso é um boa escolha no momento de enviar peças para gráficas.
O risco em usar o PDF como formato intermediário se dá pela inexistência dos filtros previstos no formato SVG, como o de desfocagem e da grande variação de estágio de maturidade das aplicações que geram e lêem PDF, podendo levar a um resultado final diferente do esperado.
AI ou
Adobe Illustrator Artwork: Um formato vetorial de propriedade da Adobe Systems.
CDR ou
Arquivo Corel Draw: Um formato vetorial de propriedade da Corel Corporation.
SVG ou
Scalable Vector Graphics: Esse é o formato aberto
(o que significa livre para uso e implementação) criado pela
W3C (World Wide Web Consortium). SVG é um dialeto de XML e isso significa que é muito mais simples interpretar e modificar um arquivo SVG que um outro em formato binário. Esse formato suporta elementos primitivos como elipses e retângulos, caminhos
(que criam elementos complexos), texto formatado, texto encaixado em caminhos ou moldes, canal alfa, degradês, recortes, máscaras, clonagem, filtros, inclusão de imagens bitmap e muito mais. Com isso o SVG pode ser visto em pé de igualdade com os formatos mais completos do mercado. uma dificuldade que teremos
(ao menos por enquanto) é que temos o RGB como espaço de cor padrão do SVG, o que é bom para a tela do computador, mas não para a impressão, onde seria melhor usar CMYK. Isso mostra um outro ponto negativo, pois, ao menos no Inkscape, ainda não temos suporte a outros espaços de cor. Como fazer a conversão de um trabalho criado com Inkscape de RGB para CMYK? Veremos nos tutoriais. O grande problema fica na escolha da aplicação para visualizar, manipular e imprimir o SVG, já que é um formato bastante recente e sua implementação ainda não está madura o suficiente na maioria das aplicações.